SOU DO CEARÁ


"Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome , pergunto o que há ?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."

Patativa do Assaré

domingo, 4 de dezembro de 2011

FERREIRA GULAR GANHA PRÊMIO JABUTI 2011

FOTO: EDUARDO QUEIROZ  -  DIÁRIO DO NORDESTE
" O poeta maranhense Ferreira Gullar: Ser premiado é gratificante,
porque o sentido da vida é o outro "



PRÊMIO JABUTI




" Melhor livro vai para Gullar "


" Colunista do Diário do Nordeste, o poeta Ferreira Gullar levou o principal prêmio do polêmico Jabuti "


" O poeta Ferreira Gullar, de 81 anos, foi o grande vencedor do prêmio Jabuti de 2011, com "Em alguma parte alguma" (José Olympio), escolhido melhor livro de ficção. "1822" (Nova Fronteira), do jornalista Laurentino Gomes, foi considerada a melhor obra de não-ficção. A premiação aconteceu na última quinta-feira, na Sala São Paulo. Cada um dos laureados recebeu o prêmio de R$ 30 mil.

"Não sei se poesia é literatura. A gente faz poesia porque a vida não basta", disse Gullar, em discurso de agradecimento. "Ser premiado é gratificante, porque o sentido da vida é o outro, e um prêmio mostra reconhecimento", completou.

Gomes revelou que viverá numa universidade americana em 2012, onde terminará de escrever "1889", sobre a proclamação da República no Brasil. O lançamento deve acontecer na próxima Bienal do Livro do Rio, em 2013.

"É mais importante o que o prêmio simboliza do que a obra em si. Dizia-se que, para um escritor fazer sucesso no Brasil, ele tinha que fazer autoajuda, esoterismo ou literatura barata. De repente, livros de história fazem sucesso, ganham prêmios. Isso mostra maturidade do mercado editorial, mas principalmente uma busca por respostas sobre o Brasil de hoje", avaliou o jornalista.

Gullar tinha como concorrentes a livro de ficção José Castello, vencedor na categoria romance, com "Ribamar" (Bertrand Brasil); Dalton Trevisan, vitorioso na categoria contos e crônicas, com "Desgracida" (Record); além de André Neves e Marina Colasanti, respectivamente ganhadores nas categorias infantil e juvenil, com "Obax" (Brinque Book) e "Antes de virar gigante e outras histórias" (Ática). Os primeiros colocados em cada uma das 29 categorias receberam R$ 3 mil.

Gullar e Gomes já haviam sido vitoriosos em edições anteriores do Jabuti: o poeta em 2007, com "Resmungos" (Imprensa Oficial), e o jornalista em 2008, com "1808" (Planeta).

Mudanças

Foi a primeira vez desde a criação dos prêmios de livro do ano, em 1993, que concorreram ao troféu máximo apenas os primeiros colocados nas categorias do Jabuti. Antes, os três melhores em cada categoria podiam entrar na disputa pelo livro do ano. Cinco categorias são concorrentes em ficção e 19 disputam em não-ficção.

A mudança aconteceu após a polêmica gerada pela premiação do ano passado. "Leite derramado" (Companhia das Letras), de Chico Buarque, foi eleito melhor livro do ano de ficção. No entanto, ele havia ficado em segundo lugar na categoria romance - perdendo para "Se eu fechar os olhos agora" (Record), de Edney Silvestre. Sergio Machado, presidente do Grupo Editorial Record, chegou a anunciar que não inscreveria mais seus livros no Jabuti. Já Luiz Schwarcz, editor da Companhia da Letras, saiu em defesa do romance de Chico.

Machado mostrou ter apreciado a mudança e compareceu à premiação deste ano. Após o apresentador do prêmio, o jornalista Pedro Bial, anunciar a vitória de Gullar, o editor o acompanhou ao palco. Schwarcz não foi ao evento.

A edição deste ano do Jabuti foi marcada por desclassificações. Foram cinco no total. A última delas tirou da competição o então vencedor da categoria biografia: "Alceu Penna e as garotas do Brasil" (Amarilys), de Gonçalo Junior. O conselho do prêmio Jabuti desclassificou a obra alegando não ser inédita, pois uma edição do livro homônimo do mesmo autor fora publicada em 2004. O prêmio passou a ser de Sergio Britto, por "O teatro & eu" (Tinta Negra). Também foram desclassificados "A mão afro-brasileira", de Emanuel Araújo; "As horas de Katharina", de Bruno Tolentino; "O outono da Idade Média", de Johan Huizinga; e "Itinerário de uma falsa vanguarda", de Antonio Arnoni Prado."
 
 
CADERNO 3
 
 
FONTE:  JORNAL DIÁRIO DO NORDESTE
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1078816
 

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